texto LU ZUÊ
fotos MARCO CEZAR | DIVULGAÇÃO KANALOA VA’A
(Foto de abertura: António Gonzaga | Foto: Divulgação Kanaloa VA’A
Modalidade ideal para quem deseja praticar um esporte ligado à água, em meio à natureza, fazendo novas amizades, que seja desafiante e prazeroso e traga ensinamentos e benefícios tanto para o corpo quanto para a mente, a canoagem havaiana vem crescendo rapidamente no Brasil, e Florianópolis não foge à regra. Vale muito a pena conhecer melhor esse esporte
Para começar, o que chamamos de canoa havaiana é, na verdade, a canoa que surgiu há mais de três mil anos no Triângulo Polinésio – região do Oceano Pacífico com agrupamentos de ilhas em seus três vértices: Havaí, Ilha de Páscoa e Nova Zelândia – quando era utilizada para pesca e entretenimento, sendo meio de deslocamento dos povos e colonização de diferentes regiões. A embarcação possui um flutuador lateral que garante estabilidade para um casco estreito e veloz e que navega com leveza. Há tamanhos variados, com diferentes capacidades de remadores.

Popularizado no mundo todo, o esporte chegou ao Brasil no início dos anos 2000, e desde então vem conquistando cada vez mais praticantes, que se encantam pela oportunidade de estar em contato com a natureza, curtir um esporte ao ar livre, adquirir ou aprimorar o condicionamento físico e desenvolver a socialização, especialmente por envolver trabalho em equipe, sincronia, cooperação e liderança. Para a grande maioria das pessoas é uma modalidade que conecta corpo e mente, transformando-se num “modo de vida”.
Outro diferencial da canoagem havaiana está no fato de poder ser praticada por pessoas de diferentes idades, não exigindo treinamento prévio, mas sim disposição, vontade e disciplina.
Comentário comum é que basta começar para nunca mais querer parar.

Para começar, o que chamamos de canoa havaiana é, na verdade, a canoa que surgiu há mais de três mil anos no Triângulo Polinésio – região do Oceano Pacífico com agrupamentos de ilhas em seus três vértices: Havaí, Ilha de Páscoa e Nova Zelândia – quando era utilizada para pesca e entretenimento, sendo meio de deslocamento dos povos e colonização de diferentes regiões. A embarcação possui um flutuador lateral que garante estabilidade para um casco estreito e veloz e que navega com leveza. Há tamanhos variados, com diferentes capacidades de remadores.
Popularizado no mundo todo, o esporte chegou ao Brasil no início dos anos 2000, e desde então vem conquistando cada vez mais praticantes, que se encantam pela oportunidade de estar em contato com a natureza, curtir um esporte ao ar livre, adquirir ou aprimorar o condicionamento físico e desenvolver a socialização, especialmente por envolver trabalho em equipe, sincronia, cooperação e liderança. Para a grande maioria das pessoas é uma modalidade que conecta corpo e mente, transformando-se num “modo de vida”.
Outro diferencial da canoagem havaiana está no fato de poder ser praticada por pessoas de diferentes idades, não exigindo treinamento prévio, mas sim disposição, vontade e disciplina.
Comentário comum é que basta começar para nunca mais querer parar.

POR AQUI…
Floripa é abençoada pela quantidade de opções de lugares para a prática dessa modalidade, e também por isso, aqui o esporte vem crescendo consideravelmente, com “bases” de canoagem em muitos locais e possibilidades infinitas de roteiros e atividades.
Empreendedor multifacetado com uma longa e profunda conexão com o mar, ao longo dos anos Antônio Gonzaga (foto de abertura) circulou por diferentes segmentos, apostando sempre na inovação e qualidade de produtos e serviços como diferenciais.
Sua ligação com o mar é antiga: já velejou, foi triatleta, praticante de stand-up-paddle e desde a chegada da canoagem havaiana ao Brasil, dedicou-se à prática competitiva (atualmente é bicampeão Pan-americano e campeão brasileiro de canoa individual – OC1). Mas graças à vertente empreendedora, vislumbrou nesse esporte também oportunidades de negócios.
Além de importar canoas individuais para competição, Gonzaga é fundador e sócio do Kanaloa Va’a, o quarto clube da modalidade criado no Brasil, em 2003. “Meu sócio, Alexey Bevilacqua, fez algumas temporadas no Havaí, mergulhando na cultura, conhecendo os anciões, visitando lugares sagrados e buscando na fonte o conhecimento que existe a respeito da canoagem. Nos últimos dois anos eu fui pra lá, também buscando isso, porque acreditamos que esse conhecimento é o que mantém a prática viva até hoje e precisa ser repassado para os praticantes para que a canoagem mantenha sua essência. Fazemos parte da 40ª geração de remadores, e o que fazemos hoje na água impacta até sete gerações no futuro”, explica. Ele conta que no idioma havaiano existe a palavra “Kuleana”, que significa responsabilidade. “É a responsabilidade, de transmitir esses conhecimentos, de sensibilizar as pessoas para os valores dessa prática”, acrescenta.
E é essa essência que faz a canoagem ser reconhecida como um “modo de vida”.

O nome “Kanaloa” corresponde a uma das quatro principais divindades dos havaianos – que rege as dinâmicas do nosso planeta, inclusive a dos mares e oceanos -, e a tradução de “Va’a” é comunidade. Isso tem a ver com o senso de coletivo, de dividir as coisas, sejam elas responsabilidades ou conhecimento.

O clube Kanaloa VA’A
O clube possui nove bases, sendo oito delas em Florianópolis (localizadas em Canasvieiras, Santo Antônio de Lisboa, Coqueiros, Centrinho da Lagoa, Beira-mar Norte, Barra da Lagoa, Jurerê e Cachoeira do Bom Jesus) e uma na Bahia (Arraial d’Ajuda). Oferece aulas regulares (para a prática do esporte), atividades turísticas (passeios, travessias e expedições) e atendimento corporativo. “Somos o maior clube do Brasil, e considerando alta e baixa temporadas, oscilamos entre 400 e 600 alunos. Além disso, estamos criando o Kanaloa Experience, que é um produto para levar pessoas de diferentes partes do mundo para remar no Havaí, vivenciando as experiências que tivemos lá”, conta Gonzaga.
Tanto quanto destaca a qualidade das atividades esportivas e turísticas oferecidas (leia na página 83), no que que diz respeito ao atendimento corporativo, o empresário-atleta é categórico: “A maneira com que o Kanaloa funciona para atender grupos de trabalho, não se compara em resultados com nenhuma outra coisa. Isso acontece por causa do arcabouço cultural, histórico e filosófico da prática, que é um esporte coletivo por excelência, em que os remadores precisam tornar-se um com a canoa”, afirma. De acordo com esses preceitos, na água o remador está em primeiro lugar a serviço da canoa, em segundo lugar a serviço do seu clube, em terceiro lugar a serviço do seu time e em quarto lugar a serviço de si próprio. Há muita riqueza cultural e filosófica nesses ensinamentos, todos perfeitamente alinhados ao trabalho e ambiente corporativos.

Não existe “tempo ruim”
Nem o frio das manhãs de inverno espanta quem gosta de remar. Seja para se aventurar em passeios ou para aprimorar a técnica, a água gelada não é impedimento para a pr´´atica do esporte.
Paulista de nascimento, há 23 anos Andresa Teixeira escolheu morar na Ilha, em grande parte porque sempre foi apaixonada por esportes e pelo mar. “Nesse tempo todo, se fui para São Paulo cinco vezes, foi muito”, comenta. Há oito anos conheceu o remo e há dois trabalha como instrutora na base da Kanaloa Va’a de Jurererê.
Ela atende tanto alunos quanto pessoas e grupos que buscam os passeios turísticos e temáticos. As aulas têm em média 1 hora e meia na canoa, tempo em que explica e corrige as remadas, trabalha intensidade, velocidade e sincronia. “Já no caso dos passeios, ensinamos o essencial para remar, damos explicações sobre canoagem e segurança e vamos para o mar. O objetivo maior é curtir a experiência de remar”, explica Andresa.

Reaprender a observar o belo na simplicidade e ver a cidade por ângulos diferentes foram, segundo a remadora, duas das melhores coisas que a canoagem lhe proporcionou. Na primeira vez em que saiu par remar, encontrou uma baleia. Foi tomada pela emoção e disse para si mesma que não iria abrir mão de oportunidades semelhantes. “Me encanto em todos os passeios e, também, nas aulas, ouvindo o barulho dos remos na água e percebendo coisas que não conseguimos observar quando estamos fora da água”, diz.

Entre os passeios recorrentes realizados pelo clube, Andresa cita o da Lua Cheia, do nascer do Sol e do Pôr do sol, e para aqueles que acreditam que quem fez uma vez já viu tudo, deixa o seguinte recado: são experiências parecidas, mas cada uma com seus diferenciais. “Aqui em Jurerê, o Sol nasce por detrás dos morros, quando já está alto. Na Barra da Lagoa, ele vem da linha d’água. São visuais muito diferentes, que têm em comum a calma do momento – que passa rapidamente – e a conexão com a natureza. O mesmo acontece com o Pôr do Sol, que aliás, em Santo Antônio de Lisboa é indescritível”, resume.

O mar como legado
Manezinho de quinta geração, Deividy Andrade da Silva vem de uma família que vive na região de Jurerê desde os anos de 1730, sempre ligada à pesca e ao mar. O avô era comerciante, e pai foi o último pescador profissional da região.
Deividy conheceu a canoagem havaiana ao encontrar o remador Léo A. Monte em Jurerê, numa canoa V1 (para uma pessoa). “Ele me convidou para remar numa V6 (seis lugares), e conheci um treinamento intenso, focado em competição. Remar mexeu comigo, e fui buscar conhecer melhor a história, aprender sobre o respeito à canoa. A canoa é um “ente da família”, e há um grande respeito em seu manuseio e transporte, refletindo a cultura polinésia”, explica.

Essa cultura, a propósito, coloca os praticantes como uma grande e unida família – “Ohana” – e na opinião de Deividy, isso também ajuda a difundir cada vez mais essa prática. “Eu tenho bons amigos em todas as bases de canoagem por aqui, e grandes parceiros de vida que remam comigo”, conta.
Defensor da prática como um estilo de vida, ele faz questão de repassar o que sabe sobre a cultura e filosofia da canoagem para todos os que procuram o esporte, e acredita no poder da modalidade como projeto social para envolver menores e oferecer uma vivência com propósito. “Não há quem não seja tocado pela prática. Levei uma senhora de 67 anos para remar, e quando voltamos, a alegria estava estampada no rosto. Ela disse que estava ‘tão viva como não se sentia há tempos’, e isso mostra o poder transformador do esporte para pessoas de todas as idades”, afirma. Certo disso, já “puxou” o sobrinho Pedro Henrique, e o filho, Miguel para a canoagem.
Em fevereiro deste ano adquiriu sua própria canoa (uma V1), também como forma de manter a promessa feita ao pai pouco antes de ele morrer, de que nunca abandonaria o mar. Em homenagem ao pai pescador, batizou sua canoa com o nome “Feiticeira”, em referência a uma rede de pesca que teve seu uso proibido. “Ressignifiquei o nome, e agora a Feiticeira tem a missão de levar pessoas e cumprir seu proposito no mar. Comigo ela já faz isso praticamente todos os dias”, conclui.





