ASAS AO VENTO

(Foto abertura: Rider Mártin Carvalho | Foto Jacko Campeche

texto LUIS ROBERTO FORMIGA
fotos  MARCO CEZAR  |  CLÁUDIA DODL  |  JACKO CAMPECHE  |  JAMES THISTED  |  ALLAN CARVALHO/PMF

Mais uma vez, Florianópolis é o centro das atenções em uma atividade esportiva: o wingfoil entra em cena como sucesso no mundo dos esportes aquáticos

O esporte é recente.

Em 2018, marcas norte-americanas desenvolveram asas infláveis que tornaram os primeiros projetos obsoletos.

Anteriores até ao kitesurf, o ‘’primo velho’’, chamava kitewing. As mudanças, na verdade, foram uma tentativa de evolução do windsurf, vislumbrando incrementar a performance. O que se fez? A troca das velas – que eram equipamentos pesados – por asas semelhantes a uma pequena asa delta construídas com alumínio, fibra de carbono  e tecido de poliéster/dacron. Ainda nos anos 80, esse esporte sucumbiu ao kitesurf, que revolucionou os esportes aquáticos no final dos anos 90.

A asa inflável atual funciona inicialmente como uma vela. É associada a uma prancha bem menor que a de um windsurf e equipada com hydrofoil (um equipamento parecido com um planadorzinho, que literalmente voa sobre a água) fixado a uma prancha de dimensões e peso muito reduzidos se comparada a uma de windsurf.

Rider Bernardo Penteado Fernandes | Foto James Thisted

O Hydrofoil Board  foi abordado na edição 78 da revista Mural. Na matéria, mostramos desde o primeiro a ser construído no Brasil, um equipamento que foi de Ayrton Senna e era utilizado na prática de uma modalidade de ski aquático chamada Air Chair. Tratava-se de um hydrofoil rudimentar e pesado, construído em duralumínio, que foi evoluindo até chegar aos mais modernos, construídos com tecnologia composite e fibra de carbono.

Como funciona o foilboard?

Após a montagem do equipamento, conectando a asa, fuselagem e o estabilizador – que se parecem com “um aviãozinho” – ao mastro e à prancha, é momento de inflar a asa com uma bomba manual ou automática, com bateria recarregável. O velejador – ou hydrofoil boarder – normalmente se protege com capacete e colete flutuador.

Rider Adrien Caradec – Foto Cláudia Dodl

A prática é interessante, e apesar de ser de baixo impacto e velocidade para quem é iniciante, o aprendizado é muito prazeroso. Entender como usar a energia do vento com uma leve asa na mão, ganhar velocidade e controlar o voo da prancha que descola da água sendo sustentada pela hidrodinâmica do hydrofoil, é uma experiência incrível.

Com algumas horas de treino, o cérebro, o equilíbrio e o corpo entram em sintonia, e então o navegar se realiza de forma muito leve e sem arrasto, como as pranchas convencionais de kitesurf ou windsurf.

Controlar o voo da asa, o wing, e o voo submerso do hydrofoil é empolgante! Parece difícil, mas não é, desde que se utilize o equipamento adequado para o aprendizado e, é claro, conte-se com o apoio técnico e teórico de instrutores. Isso acaba acelerando o processo de aprendizado.

Depois de passar pelo nível básico, as combinações de equipamentos aumentam a velocidade, a dificuldade e melhoram a performance.

Instrutores e alunos da Hydrofoil Brasil | Foto Marco Cezar

Centro internacional do wingfoil

A capital de Santa Catarina é rodeada por baías, lagoas e mar, onde o vento sempre está presente. E além de contar com essas condições favoráveis para a prática desse esporte, conta ainda com esportistas que além de se especializarem na modalidade, montaram negócios para fabricação desses equipamentos.

A conceituada marca OKES, do mestre das pranchas Adrien Caradec, produz aqui na Ilha os consagrados hydrofoils e pranchas para o esporte.

Enquanto isso, Mauro Amorim – ou Maurinho, como é conhecido no meio esportivo -, produz na China a marca brasileira de equipamentos de wingfoil – a Fenix Wings.

Para aprender

A Lagoa da Conceiçāo reforça o conceito de que Florianópolis é o pico desse esporte. Além dos equipamentos, não faltam escolas para o aprendizado.

Um dos lugares que recebe o maior número de praticantes é a Ponta das Almas, lado norte da Lagoa. No lado sul, temos a Gokite, e um pouco mais para a frente, a Windcenter.

A Hydrofoil Brasil é também uma dessas escolas. Especializada na modalidade, está localizada na mais nova praia da Ilha. É isso mesmo que você acabou de ler! A dragagem da entrada do Canal da Barra gerou areia branquinha em quantidade suficiente para fazer mais uma praia incrível para a região, onde existem condições muito boas para os dois ventos predominantes em Florianópolis – os ventos sul e nordeste.

Mas na Ilha, esse esporte não se limita a esse lugar. Nas praias dos quatro cantos de Floripa, com ou sem ondas, a prática do wingfoil encontra condições perfeitas. Desde o sul, na Ponta do Papagaio, ao norte – em Canasvieiras, Jurerê ou Praia do Forte-, passando pelas praias do leste da ilha, como Barra da Lagoa, Mole, Joaquina ou Campeche, não faltam ondas para serem surfadas com essa modalidade, que promete crescer muito já no verão de 2025/2026.

Rider Mártin Carvalho | Foto Kamila Mendes

Os “caras” das pranchas que voam

Que o wingfoil vem crescendo cada vez mais em Floripa e colocando a Ilha em uma posição de destaque nesse universo é consenso. E ao mesmo tempo em que isso atrai pessoas de todos os lugares para aprender e praticar o esporte, cria também alternativas de negócio.

Proprietário da primeira escola especializada em hydrofoil do País – a Hydrofoil BrasilMártin Carvalho conheceu o wingfoil em 2020, quando foi convidado por uma fábrica para testar o equipamento. “Testei e decidi prontamente abrir uma escola aqui na cidade. Hoje, já temos perto de 100 velejadores, e a expectativa das fábricas é que 80% do mercado de kite e windsurf migre para o wingfoil no prazo de cinco anos”, avalia.

A comparação feita por Adrien Caradec, proprietário da OKES, vai na mesma direção: “O espaço que o kite levou 25 anos para conquistar, o wingfoil levou apenas 10”, explica. Quando foi apresentado ao hydrofoil, nas Bahamas, em 2013, ele ficou impressionado com a performance do equipamento, mesmo em barcos grandes. “Havia poucas fábricas produzindo, e vi nisso uma oportunidade”, explica Caradec, que em 2015 começou a produzir artesanalmente os hydrofoils, e já no ano seguinte montou a fábrica.

Marca catarinense, a Fenix Wings traz consigo a experiência de seu fundador, Mauro Amorim – o Maurinho – que sempre foi ligado aos esportes do mar, e desde 2005 circulava pelo mercado da China, onde comprava equipamentos para kitesurf. Quando criou a empresa, usou contatos e conhecimento e firmou-se na fabricação de wingfoil.

Mauro concorda com o crescimento do esporte, e acredita que com mais divulgação esse interesse será ainda maior. “A Fenix já vem fazendo isso, por ser uma marca nacional, o que permite uma redução no preço para o comprador. O wingfoil conquista pela emoção que proporciona, mas também pela praticidade de transporte e pelo custo em relação aos equipamentos de outras modalidades. Além disso, com o aprendizado adequado, o iniciante adquire segurança e independência em pouco tempo”.

Luis Roberto Formiga | Fotos Carol Rosa

Para as montanhas, na Cordilheira dos Andes

Um projeto especial… depois de virar um aficionado pelo wingfoil e pela praticidade em transportar esse equipamento totalmente desmontável para onde se desejar, decidi ampliar os limites de utilização das “asas ao vento’’.

Como costumeiramente faço anualmente nos últimos 30 anos, fui ao Campeonato Brasileiro de Ski e Snowboard, evento que neste ano aconteceu no Chile, na região de Araucânia em Corralco, um conhecido centro de ski.

Nesse lugar, os ventos que vêm do Oceano Pacífico incidem na Cordilheira dos Andes. Junto, trazem umidade e frio, produzindo neve. Anteriormente, tive a experiência de praticar snowkite por lá, e decidi voltar com o Wing para estudar as possibilidades de utilizar esse equipamento, desta vez na água congelada.

Para essa expedição levei também uma versão mais flexível – o Parawing -, mais parecido com um pequeno paraglider e construído também com tecido de paraquedas. Ele, porém, é inflado somente com o vento, e se percebe claramente a simplicidade e eficiência do equipamento.

Logo nas primeiras tentativas o desempenho foi surpreendente. Com controle da velocidade e da frenagem foi possível fazer extensos ziguezagues na montanha branca, aproveitando áreas sem inclinação que apesar de cobertas com neve boa, são apenas contemplativas e não utilizadas para o esporte e diversão.

Luis Roberto Formiga | Fotos Carol Rosa

Sem dúvidas, com o estudo da micrometeorologia de cada lugar é possível estender os limites esquiáveis de snowboard ou esqui, cruzar áreas planas para descer as vertentes nevadas das montanhas.

Para encerrar, digo que o Parawing é mais versátil por nāo precisar ser montado. Porém,  o wing inflável entrega mais performance por ter um perfil de asa mais firme, estruturado e perfeito.

Ainda no campo desses esportes, o Parawingski e Parawingsnowboard, na versão inflável com bombas de encher, vão dar muito o que dizer.

Anota ai!

De cara produzimos imagens fantásticas e inéditas ao velejar ao sabor dos ventos na neve dos vulcões chilenos.

Até a próxima!

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